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Metilação do DNA sanguíneo e aptidão cardiovascular

  • Foto do escritor: Ricardo Pinho
    Ricardo Pinho
  • 15 de abr.
  • 2 min de leitura

A prática regular de exercícios físicos é amplamente reconhecida por seus benefícios sistêmicos, que vão desde a melhora da função vascular até a redução do risco de doenças crônicas, como diabetes tipo 2, obesidade, doenças vasculares, câncer e Alzheimer, entre outras. Recentemente, a ciência tem se voltado para compreender como esses benefícios se refletem em nível molecular, especificamente por meio de modificações epigenéticas, como a metilação do DNA, que podem atuar como indicadores da idade biológica de um indivíduo. Nesse contexto, um estudo investigou as associações entre a metilação do DNA no sangue e marcadores de desempenho físico, como capacidade cardiorrespiratória e muscular. A pesquisa foi conduzida por uma equipe internacional de pesquisadores liderada pelo Dr. Zsolt Radak da Hungarian University of Sports Sciences, Budapeste, Hungria, em colaboração com os pesquisadores da PUCPR, incluindo os doutores Roberto H. Herai, Ricardo A. Pinho.


Em uma coorte de 366 adultos saudáveis, mapearam aproximadamente 730.000 sítios de metilação (sites CpG) no genoma. Embora as análises iniciais dos indicadores de aptidão física não tenham revelado associações significativas após ajustes por idade, sexo e composição celular, a estratificação dos participantes por níveis de aptidão cardiorrespiratória revelou achados importantes. Os pesquisadores identificaram que indivíduos com baixa aptidão física apresentavam padrões distintos de metilação em três locais específicos, localizados nos genes TNFRSF10A e USP24, bem como em uma região intergênica. Esses genes estão funcionalmente associados a processos de sinalização apoptótica, inflamatória e de regulação do estresse celular, sugerindo que a baixa aptidão física pode estar associada a alterações epigenéticas em vias que regulam a resiliência biológica. Além disso, o estudo explorou regiões metiladas diferencialmente (DMRs), revelando que o alto nível de aptidão física está associado a melhora de vias metabólicas. Entre os achados mais significativos para o grupo com maior aptidão física, foi relacionada à ativação da via de sinalização PI3K–Akt, essencial para a ação da insulina e para o metabolismo da glicose e dos lipídios. Além disso, os resultados apontaram para processos relacionados à comunicação intercelular, como o acoplamento de vesículas e os processos exocíticos, o que reforça a hipótese de que a aptidão física elevada promove uma rede sistêmica de adaptações que favorece a homeostase metabólica e a comunicação entre órgãos.


Em resumo, as evidências sugerem que a aptidão física não causa mudanças drásticas em pontos isolados do DNA sanguíneo, mas sim deixa uma "marca epigenética" difusa e complexa. Esses resultados são fundamentais para gerar novas hipóteses sobre como o exercício modula a saúde a longo prazo e a longevidade, destacando que a proteção conferida pela atividade física pode ser mediada por ajustes sutis nas vias inflamatórias e metabólicas.



O trabalho completo intitulado “Epigenome-wide exploratory study of blood DNA methylation and markers of physical performance indicates subtle differences across levels of cardiovascular fitness” pode ser encontrado na revista Frontiers in Physiology (2026) 17:1713760. doi: 10.3389/fphys.2026.1713760


Por Dr. Ricardo A. Pinho

Pesquisador Líder do Laboratório de Bioquímica do Exercício em Saúde/PPGCS/PUCPR

 
 
 

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